Boa Noite e Boa Sorte
Georgiana Calimeris - 19/09/2006
Em
uma narrativa em tom de documentário, o filme Boa-noite e Boa-sorte
fala da trajetória de Ed Murrows ao confrontar e questionar os métodos
do Senador Joseph Maccarthy, que em 1953, perseguia tudo e a todos que
pudessem vir a ter algum contato com o comunismo e com a política de
esquerda.
O
filme não só documenta um importante período histórico para os
Estados Unidos e para a mídia como também narra o dia-a-dia de uma
redação de jornal com seus altos, baixos e preços pagos pelos
jornalistas para desenvolver o real e bom jornalismo. Clooney consegue
dar uma aula de jornalismo impressionante com este filme em todas as
nuances sem romantizar nem polemizar o que um jornalista real deve fazer
e como cumprir seu dever de reportar sempre a verdade.
A
bela fotografia junto a trilha sonora traz um tom nostálgico. No
entanto, é apenas uma leve sensação de nostalgia, pois, dentro do
filme, percebe-se a clara crítica sobre a mídia massificada e como é
fácil se sentir acuado diante da artilharia de alguém com poder. Ed
Murrows foi um dos homens que ousou enfrentar a pesada artilharia de
Maccarthy e teve a sorte de ter outros homens ao seu lado, que puderam
mostrar que o bom repórter tem que ir a fundo em suas indagações,
mesmo que pareça estar lutando contra o mundo.
A
voz de Murrows fez com que outros se indignassem com a perseguição
descabida de Maccarthy, o que levou o próprio Senador norte-americano a
ter um Comitê julgando suas ações desenfreadas. O filme não é um
suave desenrolar de fatos fantasiosos bem ao gosto e estilo de
Hollywood. Pelo contrário, uma vez que critica os padrões e estruturas
de entretenimento da época.
O
filme começa com o célebre discurso e questionamento de Ed Murrows
sobre o futuro da tv. Seus questionamentos ainda são válidos e
pertinentes para uma mídia que tenta transpor a mente do telespectador.
Sem atingir diretamente qualquer ideário político, Clooney critica a
atual fase governista norte-americana com classe e história para provar
que a história se repete inúmeras vezes nas mãos dos poderosos chefes
de estado.
Talvez,
o título também traga um quê rebelde chique, uma vez que a expressão
usada por Ed Murrows foi cunhada durante a Segunda Guerra Mundial,
enquanto reportava os acontecimentos. Ao não saber o que se poderia
acontecer entre a noite e a manhã, sempre se desejava boa-noite e
boa-sorte aos membros da comunidade. Do mesmo modo como o futuro está
incerto, o termo serve também como arquétipo para os tempos atuais:
Boa-noite e boa-sorte! Afinal, todos esperamos tempos melhores e
esperamos por aqueles que, como Murrows, façam valer nossas vozes
contra a opressão e pela liberdade de expressão.
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